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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O apanhador no campo de centeio.

"Aí, de repente, comecei a chorar. Não consegui evitar o troço. Chorei baixinho para que ninguém me ouvisse, mas chorei. A Phoebe ficou apavorada quando me viu chorar e veio para perto de mim, me pedindo para parar. Mas depois que a gente começa, não consegue parar assim à toa. Quando comecei a chorar ainda estava sentado na beira da cama, e aí ela passou o braço por trás do meu pescoço e eu também pus o meu em volta dela, mas sem conseguir parar. Chorei um tempão. Pensei que ia morrer sufocado ou coisa que o valha. Puxa, nunca vi a pobrezinha da Phoebe tão apavorada. A droga da janela estava aberta e a Phoebe estava tremendo e tudo, porque só estava com o pijama em cima da pele. Mandei ela voltar para a cama, mas ela não quis. Até que enfim consegui parar de chorar. Mas custou um bocado. Aí acabei de abotoar o sobretudo e prometi a ela que ia telefonar. Respondeu que, se eu quisesse, podia dormir com ela, mas eu disse que não, que era melhor dar no pé, porque o Professor Antolini estava me esperando e tudo. Aí tirei o chapéu de caça do bolso e dei pra ela. Ela gosta desses chapéus malucos. Só a muito custo aceitou. Sou capaz de apostar que dormiu com ele na cabeça. Ela gosta muito desse tipo de chapéu. Aí eu disse de novo que ligava para ela, se desse jeito, e saí."

Trecho de O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger

Trechos de "Um cadáver de poeta"

(...)

VI

No outro dia na borda do caminho,
Deitado ao pé de um fosso aberto apenas,
Viu-se um mancebo loiro que morria...
Semblante feminil, e formas débeis,
Mas nos palores da espaçosa fronte
Uma sombria dor cavara sulcos.
Corria sobre os lábios alvacentos
Uma leve umidez, um ló d’escuma,
E seus dentes a raiva constringira...
Tinha os punhos cerrados... Sobre o peito
Acharam letras de uma língua estranha...
E um vidro sem licor — fora veneno!...

Ninguém o conheceu: mas conta o povo
Que, ao lançá-lo no túmulo, o coveiro
Quis roubar-lhe o gibão, despiu o moço...
E viu... talvez é falso... níveos seios...
Um corpo de mulher de formas puras...

VII

Na tumba dormem os mistérios d’ambos:
Da morte o negro véu não há erguê-lo!
Romance obscuro de paixões ignotas,
Poema d’esperança e desventura,
Quando a aurora mais bela os encantava,
Talvez rompeu-se no sepulcro deles!
Não pode o bardo revelar segredos
Que levaram ao céu as ternas sombras:
— Desfolha apenas nessas frontes puras
Da extrema inspiração as flores murchas...

Trecho final de Um cadáver de poeta,
de Álvares de Azevedo
(Posteriormente agrupado em A lira dos vinte anos)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O que se passa na cama

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)
É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.
Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima...O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.

Carlos Drummond de Andrade

Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor

I

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.


II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.


III

Contente. Contente do instante
Da ressurreição, das insônias heróicas
Contente da assombrada canção
Que no meu peito agora se entrelaça.
Sabes? O fogo iluminou a casa.
E sobre a claridade do capim
Um expandir-se de asa, um trinado

Uma garganta aguda, vitoriosa.

Desde sempre em mim. Desde
Sempre estiveste. Nas arcadas do Tempo
Nas ermas biografias, neste adro solar
No meu mudo momento

Desde sempre, amor, redescoberto em mim.


IV

Que boca há de roer o tempo? Que rosto
Há de chegar depois do meu? Quantas vezes
O tule do meu sopro há de pousar
Sobre a brancura fremente do teu dorso?

Atravessaremos juntos as grandes espirais
A artéria estendida do silêncio, o vão
O patamar do tempo?

Quantas vezezs dirás: vida, vésper, magna-marinha
E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas
Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas
Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor

Uma nova vertente há de nascer em ti
E quantas vezes em mim há de morrer.

Hilda Hilst
"Lamento pelas pessoas que não bebem. Quando elas acordam de manhã, estão tão bem quanto vão estar durante todo o dia." [Frank Sinatra]

"Como o ser humano é contraditório. Um punhado de bem, um punhado de mal. É só misturar com água." [Markus Zusak]

"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar." [Charles Bukowski]

"Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto.
[Charles Bukowski]

"A vida comum não me interessa. Busco apenas os momentos elevados. Estou de acordo com os surrealistas, buscando as maravilhas" [Anaïs Nin]

"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa." [Charles Bukowski]

"O meu maior desgosto é que Deus, na realidade, não exista, privando-me assim do prazer de o insultar mais positivamente." [Marquês de Sade]

"Quem você ama e quem ama você nunca são a mesma pessoa." [Chuck Palahniuk]

"Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti." [Friedrich Nietzsche]

"A felicidade não é um ideal da razão mas sim da imaginação." [Immanuel Kant]

"A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe." [Mário Quintana]

"Aquele que sabe mandar encontra sempre quem deva obedecer."
[Friedrich W. Nietzsche]

"Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem." [Stephen King]

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sábado, 24 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Confissão

esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama

sinto muita pena de
minha mulher

ela vai ver este
corpo
rijo e
branco

vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:

“Henry!”

e Henry não vai
responder.

não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo.

[Charles Bukowski]
"Uma mulher espera-me, tem tudo, não falta nada. Mas faltaria tudo se faltasse o sexo."

[Walt Whitman - Poeta norte-americano]
"Não há outro inferno para o homem além
da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes."

[Marquês de Sade - Escritor francês)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por enquanto o tempo me limita a pensar e a escrever. Versos corrosivos e lamentáveis que narram uma vida medíocre de merda. Se eu me perguntar se viveria isso para sempre, a resposta seria: Vivo no Inferno aguardando o purgatório.

[she]...

Ela apareceu iluminada como uma divindade..
Bebeu feito uma fera sedenta..
Sua voz ecoou como musica em meus ouvidos..
Seu corpo emanava prazer..
Seu beijo aquecia meus lábios..

vodka (?)

Ao amanhecer a chuva lava a embriagueis da madrugada, finita, já alimentada por vodka e tédio.
As gotas caem sobre mim como pedras de gelo que se dissolvem ao tocar minha pele, e novamente se tornam água a banhar minha insanidade.
O vento sopra em minha direção, aumentando o vazio que me consome.
Pessoas saem de suas casa enquanto eu volto a minha.
Sem equilíbrio no corpo, me livro das roupas frias e molhadas de chuva e de suor.
Sem fome como. Por instinto.
Sem firmeza nas mãos escrevo. Por paixão.
Sem sono durmo. Por necessidade.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Madrugada..

Em um quarto escuro; com um cigarro aceso;
Uma trilha de fundo; sentimento de solidão.
Assim passam os sonhos e pensamentos tristes
E bucólicos de uma vida sem luz.

Com o vento, o mar pulsa ao fundo
Ressaltando a melancolia da situação.
Então você pensa _O que eu estou fazendo aqui?
Porque essa merda toda? Qual o motivo?_.

De relance você vê tua sombra refletida
Na parede do quarto com a luz da lua;
_Um luar tão solitário quanto tua vida_
E espera alguém que não vai aparecer.

Então o cigarro se apaga; a janela se fecha;
A lua da o seu adeus; toda melancolia se torna loucura;
E você se vê de novo deitado na cama com uma caneta na mão
E apenas lembranças deste momento...

[Victor Orsini]

domingo, 12 de julho de 2009

Untitled.. [2]

Andando pela rua mais escura,
Respirando seguidamente _compassado_
Memórias fluindo como sangue,
Da ferida aberta jamais cicatrizada.

Fluido escarlate pingando sofrimento,
Cada passo seguido pelo vento _frio_
Que toca meu rosto como uma “amante”,
Gélida e ausente, _cancerosa_.

O asfalto queima meus pés como enxofre,
O frio corta minha carne como navalha,
O sabor amargo do cigarro aceso,
A dor agridoce do meu inferno particular.

Segundos passam como mil dias,
A “amante” que antes tocava meu rosto,
Agora copula como um vendaval sobre mim,
Varrendo minha sanidade com sua paixão.

O som que ecoa em minha mente,
O asfalto que queimava meus pés,
O cigarro _agora apagado_
Tudo termina. O inferno continua.

Untitled..

Quanto mais busco pelo meu inferno,
Mais vejo que é o paraíso o que nunca encontrarei,
O caos que em mim habita não deixara
De ser fruto de minha autopunição.

Quão longe eu terei de seguir
Para que um dia possa pensar que o ontem foi uma bobagem?
E apesar de tudo de ruim que se passou,
Minha vida se explique no hoje,
E o amanha se torne uma incerteza...