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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O apanhador no campo de centeio.

"Aí, de repente, comecei a chorar. Não consegui evitar o troço. Chorei baixinho para que ninguém me ouvisse, mas chorei. A Phoebe ficou apavorada quando me viu chorar e veio para perto de mim, me pedindo para parar. Mas depois que a gente começa, não consegue parar assim à toa. Quando comecei a chorar ainda estava sentado na beira da cama, e aí ela passou o braço por trás do meu pescoço e eu também pus o meu em volta dela, mas sem conseguir parar. Chorei um tempão. Pensei que ia morrer sufocado ou coisa que o valha. Puxa, nunca vi a pobrezinha da Phoebe tão apavorada. A droga da janela estava aberta e a Phoebe estava tremendo e tudo, porque só estava com o pijama em cima da pele. Mandei ela voltar para a cama, mas ela não quis. Até que enfim consegui parar de chorar. Mas custou um bocado. Aí acabei de abotoar o sobretudo e prometi a ela que ia telefonar. Respondeu que, se eu quisesse, podia dormir com ela, mas eu disse que não, que era melhor dar no pé, porque o Professor Antolini estava me esperando e tudo. Aí tirei o chapéu de caça do bolso e dei pra ela. Ela gosta desses chapéus malucos. Só a muito custo aceitou. Sou capaz de apostar que dormiu com ele na cabeça. Ela gosta muito desse tipo de chapéu. Aí eu disse de novo que ligava para ela, se desse jeito, e saí."

Trecho de O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger

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