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sábado, 24 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Confissão

esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama

sinto muita pena de
minha mulher

ela vai ver este
corpo
rijo e
branco

vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:

“Henry!”

e Henry não vai
responder.

não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo.

[Charles Bukowski]
"Uma mulher espera-me, tem tudo, não falta nada. Mas faltaria tudo se faltasse o sexo."

[Walt Whitman - Poeta norte-americano]
"Não há outro inferno para o homem além
da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes."

[Marquês de Sade - Escritor francês)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por enquanto o tempo me limita a pensar e a escrever. Versos corrosivos e lamentáveis que narram uma vida medíocre de merda. Se eu me perguntar se viveria isso para sempre, a resposta seria: Vivo no Inferno aguardando o purgatório.

[she]...

Ela apareceu iluminada como uma divindade..
Bebeu feito uma fera sedenta..
Sua voz ecoou como musica em meus ouvidos..
Seu corpo emanava prazer..
Seu beijo aquecia meus lábios..

vodka (?)

Ao amanhecer a chuva lava a embriagueis da madrugada, finita, já alimentada por vodka e tédio.
As gotas caem sobre mim como pedras de gelo que se dissolvem ao tocar minha pele, e novamente se tornam água a banhar minha insanidade.
O vento sopra em minha direção, aumentando o vazio que me consome.
Pessoas saem de suas casa enquanto eu volto a minha.
Sem equilíbrio no corpo, me livro das roupas frias e molhadas de chuva e de suor.
Sem fome como. Por instinto.
Sem firmeza nas mãos escrevo. Por paixão.
Sem sono durmo. Por necessidade.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Madrugada..

Em um quarto escuro; com um cigarro aceso;
Uma trilha de fundo; sentimento de solidão.
Assim passam os sonhos e pensamentos tristes
E bucólicos de uma vida sem luz.

Com o vento, o mar pulsa ao fundo
Ressaltando a melancolia da situação.
Então você pensa _O que eu estou fazendo aqui?
Porque essa merda toda? Qual o motivo?_.

De relance você vê tua sombra refletida
Na parede do quarto com a luz da lua;
_Um luar tão solitário quanto tua vida_
E espera alguém que não vai aparecer.

Então o cigarro se apaga; a janela se fecha;
A lua da o seu adeus; toda melancolia se torna loucura;
E você se vê de novo deitado na cama com uma caneta na mão
E apenas lembranças deste momento...

[Victor Orsini]

domingo, 12 de julho de 2009

Untitled.. [2]

Andando pela rua mais escura,
Respirando seguidamente _compassado_
Memórias fluindo como sangue,
Da ferida aberta jamais cicatrizada.

Fluido escarlate pingando sofrimento,
Cada passo seguido pelo vento _frio_
Que toca meu rosto como uma “amante”,
Gélida e ausente, _cancerosa_.

O asfalto queima meus pés como enxofre,
O frio corta minha carne como navalha,
O sabor amargo do cigarro aceso,
A dor agridoce do meu inferno particular.

Segundos passam como mil dias,
A “amante” que antes tocava meu rosto,
Agora copula como um vendaval sobre mim,
Varrendo minha sanidade com sua paixão.

O som que ecoa em minha mente,
O asfalto que queimava meus pés,
O cigarro _agora apagado_
Tudo termina. O inferno continua.

Untitled..

Quanto mais busco pelo meu inferno,
Mais vejo que é o paraíso o que nunca encontrarei,
O caos que em mim habita não deixara
De ser fruto de minha autopunição.

Quão longe eu terei de seguir
Para que um dia possa pensar que o ontem foi uma bobagem?
E apesar de tudo de ruim que se passou,
Minha vida se explique no hoje,
E o amanha se torne uma incerteza...